Tudo nessa vida é questão de hábito. Fazer a cama, meditar, tirar a maquiagem antes de dormir. Você desenvolve um ritual. Você cria um espaço para que a coisa aconteça. Você se força um pouquinho e quando vê aquilo virou parte do seu dia-a-dia. Possíveis exceções são limpar privada e pagar imposto. Mas escrever não foge à regra. E não escrever também não.

Porque o tempo é escasso e os afazeres, muitos, é fácil entrar numa rotina de ignorar as frases que se redigem na cabeça, em Verdana 10. Com o passar dos dias, perde-se a formatação. Logo os parágrafos viram bullet points. Palavras-chave rabiscadas. Símbolos taquigráficos. E aí, já era. Quando se vê, lá se foi uma semana sem que os monstrinhos saiam pra passear.

Mas monstros precisam de ar. Aí você tenta criar o espaço pro lazer deles de novo. Mas nem sempre dá. Quando sua empresa está virada do avesso tentando migrar para uma plataforma alienígena, por exemplo. Ou quando se está muito, mas muito atrasada mesmo, com os trabalhos de um curso que você resolveu fazer num momento de loucura. (Mais sobre isso depois.) Aí você, pra completar, compra uma casa. Sua primeira casa. (Mais sobre isso depois.) E, no meio disso tudo, começa a se preparar pra fazer as malas e mudar de ares mais uma vez. (Mais sobre isso depois.)

E, no fim das contas, tantos pensamentos se acumulam que você nem sabe por onde começar. E acaba escrevendo sobre a falta de tempo pra escrever. Ê, mundo cão.

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