As minhas investigações e incursões pelo rico universo da espiritualidade conduziram-me a certo ponto a uma prática maravihosa que, ao contrário do que julgava a minha ignorância, tem tão pouco de religiosa como nadar ou jogar xadrez. Refiro-me à meditação. A comparação é forçada, naturalmente, e não falta quem a pratique com intenção e contexto religioso. Mas esta disciplina, chamemos-lhe assim, tem muito mais que se lhe diga. Não é por acaso, de resto, que um dos mais famosos ateus da actualidade, Sam Harris, também a cultiva. Ou pelo menos é um entusiasta do assunto.

A minha relação com a meditação já foi mais regular e dedicada. Nos últimos tempos, por um misto de preguiça e excesso de outras ocupações, não tenho praticado como fiz durante algum tempo, com disciplina, uma vez por semana, num sítio dedicado e com um orientador. O interesse e o gosto, esse, permanece e mal possa retomo as sessões semanais. Porque é realmente uma experiência muito enriquecedora e salutar. E, definitivamente, meditar não é reflectir, é uma experiência mais profunda e integral, que exige muita dedicação, persistência e entrega até dar resultados.

É curioso, já agora, que a maior parte das pessoas não passa da segunda sessão. A generalidade até vai à espera de ter uma espécie de epifania espiritual na primeira tentativa… As pessoas querem respostas fáceis e rápidas aos seus anseios mas a meditação, claramente, não oferece isso. Não é um caminho fácil, mas é sem dúvida um desafio compensador. De resto, não se explica, faz-se.

No meu caso, “pratico” uma variante chamada Meditação Za-Zen. Não foi propriamente uma questão de escolha consciente, foi mais uma questão de ausência de alternativa. Simplesmente na cidade onde vivo era a única oferta disponível. O Zazen é uma tradição meditativa budista, mas não é condição essencial ser-se budista para a praticar, não compromete o meu agnosticismo, por exemplo, se calhar pelo contrário, até o reforça… Além disso, o próprio budismo, não é uma religião, no sentido em que o mundo monoteista, judaico-cristão e islâmico, entende o conceito. Valoriza muito mais, por exemplo, a experiência da vida concreta e presente e não se prende tanto com temas como Deus, a morte, a expiação, o perdão, o martírio, etc..

Enfim, mas esses já são assuntos para outro post. Este é dedicado à meditação e vem a propósito de um artigo que saiu há uns dias no suplemento de saúde do New York Times, precisamente sobre a meditação budista e sobre como os psicólogos e os psicoterapeutas se estão a interessar cada vez mais pelo assunto. Depois das neurociências, que há muito estudam esta prática – é famosa a capa da National Geographic, creio que há cerca de um ano atrás, com o monge Myngiur Rinpoche cheio de sensores na cabeça, quando foi objecto de uma investigação da Universidade do Wisconsin em torno da actividade mental do meditador -, são os psis a aprofundar o tema. Nos Estados Unidos, naturalmente, por aqui ainda é encarado como uma espécie de bizarria esotérica, ou uma pancada New Age. Não é, é muito mais e muito melhor. O artigo chama-se Lotus Therapy:

«The patient sat with his eyes closed, submerged in the rhythm of his own breathing, and after a while noticed that he was thinking about his troubled relationship with his father.

“I was able to be there, present for the pain,” he said, when the meditation session ended. “To just let it be what it was, without thinking it through.”

The therapist nodded.

“Acceptance is what it was,” he continued. “Just letting it be. Not trying to change anything.”

“That’s it,” the therapist said. “That’s it, and that’s big.”

This exercise in focused awareness and mental catch-and-release of emotions has become perhaps the most popular new psychotherapy technique of the past decade. Mindfulness meditation, as it is called, is rooted in the teachings of a fifth-century B.C. Indian prince, Siddhartha Gautama, later known as the Buddha. It is catching the attention of talk therapists of all stripes, including academic researchers, Freudian analysts in private practice and skeptics who see all the hallmarks of another fad.

For years, psychotherapists have worked to relieve suffering by reframing the content of patients’ thoughts, directly altering behavior or helping people gain insight into the subconscious sources of their despair and anxiety. The promise of mindfulness meditation is that it can help patients endure flash floods of emotion during the therapeutic process — and ultimately alter reactions to daily experience at a level that words cannot reach. “The interest in this has just taken off,” said Zindel Segal, a psychologist at the Center of Addiction and Mental Health in Toronto, where the above group therapy session was taped. “And I think a big part of it is that more and more therapists are practicing some form of contemplation themselves and want to bring that into therapy.”»

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